quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Crônica:E o vestido curto?


A partir do descobrimento do Brasil, vivemos sobre um domínio, antes os portugueses hoje os governantes. Onde quer que estejamos, estamos cercados de autoridades, seja em casa, na rua, no trabalho na faculdade. Chegamos à um ponto, faculdade. Existe realmente uma autoridade sobre a organização em tela? Acredito que a interrogação fica no ar.
Recentemente um escândalo envolvendo uma jovem e um vestido curto, tem chamado a atenção de todo Brasil. Afinal podemos andar quase nus nas praias, mas na faculdade precisamos ter postura. Mas onde ela está? Mais uma interrogação que fica sem resposta. Segundo informações na qual li, a Universidade Bandeirantes (Uniban) não possui um bom conceito em relação à docência e mensalidades, mas seus estudantes engolem tais fatos que passam despercebidos pelos mesmos, mas não engoliram a curtíssima saia de Geyse.
A punição veio, afinal estamos em meio à autoridade. Lógico a instituição de produção de conhecimento não poderia deixar passar a tal moça e seu vestido.
Mal sabia que a beneficiada seria a estudante que tirou proveito virou uma “pop star” instantaneamente e esse assunto virou noticias e acabaram agendando nossas conversas.
A prostituta, como a chamaram, virou a mocinha dos noticiários pela sua ousadia de trajar sua roupa em um ambiente inadequado e superar a vaia dos colegas de faculdade.
Portanto vamos Ousar!

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

As mulheres de 30

O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz:

'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...) Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'.
Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?
Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!
A mulher de 30 está para se separar. Ou já se separou. São raras as mulheres que passam por esta faixa sem terminar um casamento. Em compensação, ainda antes dos 40 elas arrumam o segundo e definitivo.
A grande maioria tem dois filhos. Geralmente um casal. As que ainda não tiveram filhos se tornam um perigo, quando estão ali pelos 35. Periga pegarem o primeiro quarentão que encontrarem pela frente. Elas querem casar.
Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres. Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos. Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.
O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.
A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima. Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge. Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?
Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência. Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam.
São fortes as mulheres de 30. E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.


Mário Prata

Mãe


O menino e seu amiguinho brincavam nas primeiras espumas; o pai fumava um cigarro na praia, batendo papo com um amigo. E o mundo era inocente, na manhã de sol.

Foi então que chegou a Mãe (esta crônica é modesta contribuição ao Dia das Mães), muito elegante em seu short, e mais ainda em seu maiô. Trouxe óculos escuros, uma esteirinha para se esticar, óleo para a pele, revista para ler, pente para se pentear — e trouxe seu coração de Mãe que imediatamente se pôs aflito achando que o menino estava muito longe e o mar estava muito forte.
Depois de fingir três vezes não ouvir seu nome gritado pelo pai, o garoto saiu do mar resmungando, mas logo voltou a se interessar pela alegria da vida, batendo bola com o amigo. Então a Mãe começou a folhear a revista mundana — "que vestido horroroso o da Marieta neste coquetel" — "que presente de casamento vamos dar à Lúcia? tem de ser uma coisa boa" — e outros pequenos assuntos sociais foram aflorados numa conversa preguiçosa. Mas de repente:
— Cadê Joãozinho?
O outro menino, interpelado, informou que Joãozinho tinha ido em casa apanhar uma bola maior.
— Meu Deus, esse menino atravessando a rua sozinho! Vai lá, João, para atravessar com ele, pelo menos na volta!
O pai (fica em minúscula; o Dia é da Mãe) achou que não era preciso:
— O menino tem OITO anos, Maria!
— OITO anos, não, oito anos, uma criança. Se todo dia morre gente grande atropelada, que dirá um menino distraído como esse!
E erguendo-se olhava os carros que passavam, todos guiados por assassinos (em potencial) de seu filhinho.
— Bem, eu vou lá só para você não ficar assustada.
Talvez a sombra do medo tivesse ganho também o coração do pai; mas quando ele se levantou e calçou a alpercata para atravessar os vinte metros de areia fofa e escaldante que o separavam da calçada, o garoto apareceu correndo alegremente com uma bola vermelha na mão, e a paz voltou a reinar sobre a face da praia.
Agora o amigo do casal estava contando pequenos escândalos de uma festa a que fora na véspera, e o casal ouvia, muito interessado — "mas a Niquinha com o coronel? não é possível!" — quando a Mãe se ergueu de repente:
— E o Joãozinho?
Os três olharam em todas as direções, sem resultado. O marido, muito calmo — "deve estar por aí", a Mãe gradativamente nervosa — "mas por aí, onde?" — o amigo otimista, mas levemente apreensivo. Havia cinco ou seis meninos dentro da água, nenhum era o Joãozinho. Na areia havia outros. Um deles, de costas, cavava um buraco com as mãos, longe.
— Joãozinho!
O pai levantou-se, foi lá, não era. Mas conseguiu encontrar o amigo do filho e perguntou por ele.
— Não sei, eu estava catando conchas, ele estava catando comigo, depois ele sumiu.
A Mãe, que viera correndo, interpelou novamente o amigo do filho. "Mas sumiu como? para onde? entrou na água? não sabe? mas que menino pateta!" O garoto, com cara de bobo, e assustado com o interrogatório, se afastava, mas a Mãe foi segurá-lo pelo braço: "Mas diga, menino, ele entrou no mar? como é que você não viu, você não estava com ele? hein? ele entrou no mar?".
— Acho que entrou... ou então foi-se embora.
De pé, lábios trêmulos, a Mãe olhava para um lado e outro, apertando bem os olhos míopes para examinar todas as crianças em volta. Todos os meninos de oito anos se parecem na praia, com seus corpinhos queimados e suas cabecinhas castanhas. E como ela queria que cada um fosse seu filho, durante um segundo cada um daqueles meninos era o seu filho, exatamente ele, enfim — mas um gesto, um pequeno movimento de cabeça, e deixava de ser. Correu para um lado e outro. De súbito ficou parada olhando o mar, olhando com tanto ódio e medo (lembrava-se muito bem da história acontecida dois a três anos antes, um menino estava na praia com os pais, eles se distraíram um instante, o menino estava brincando no rasinho, o mar o levou, o corpinho só apareceu cinco dias depois, aqui nesta pr aia mesmo!) — deu um grito para as ondas e espumas — "Joãozinho!".
Banhistas distraídos foram interrogados — se viram algum menino entrando no mar — o pai e o amigo partiram para um lado e outro da praia, a Mãe ficou ali, trêmula, nada mais existia para ela, sua casa e família, o marido, os bailes, os Nunes, tudo era ridículo e odioso, toda essa gente estúpida na praia que não sabia de seu filho, todos eram culpados — "Joãozinho !" — ela mesma não tinha mais nome nem era mulher, era um bicho ferido, trêmulo, mas terrível, traído no mais essencial de seu ser, cheia de pânico e de ódio, capaz de tudo — "Joãozinho !" — ele apareceu bem perto, trazendo na mão um sorvete que fora comprar. Quase jogou longe o sorvete do menino com um tapa, mandou que ele ficasse sentado ali, se saísse um passo iria ver, ia apanhar muito, menino desgraçado!
O pai e o amigo voltaram a sentar, o menino riscava a areia com o dedo grande do pé, e quando sentiu que a tempestade estava passando fez o comentário em voz baixa, a cabeça curva, mas os olhos erguidos na direção dos pais:
— Mãe é chaaata...


Rubem Braga

A mulher e o mundo


Vocês já ouviram dizer por aí que o lugar da mulher é no fogão. Também já ouviram dizer que o lugar da mulher não é no fogão. Que diabo, onde é afinal o lugar da mulher? Antes de mais nada, o lugar da mulher, como o do homem, é na vida. E vida é uma porção de coisas. Ninguém é melhor do que ninguém porque faz isso ou aquilo. O importante é fazer bem o que se faz, ter prazer naquilo que se faz.

Em geral, atribui-se aos homens o desejo de reduzir as mulheres às condição de escravas domésticas. Muitos são assim e continuam assim. E há mulheres que gostam disso, encontram prazer em servir. E se o fazem com amor, tudo bem.
Outras preferem ir à luta. Enfrentam cara a cara a concorrência, a deslealdade, a puxação de tapete, a necessidade de crescer, cerscer, crescer - até chegar a hora em que, cansada de tudo, olha para sua casa, talvez olhe para seu fogão, e pense consigo mesma: - "O que a vida está fazendo comigo? É isso mesmo que eu quero? "
O certo é o contrário. Fazer a própria vida, seja lá onde for. Seja lá como for. Seja lá com quem for.


Carlos Heitor ConY













quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Soneto da Saudade


Quando sentires a saudade retroar

Fecha os teus olhos e verás o meu sorriso.
Eternamente te direi a sussurrar:
O nosso amor a cada instante está mais vivo!

Quem sabe ainda vibrará em teus ouvidos
Uma voz macia a recitar muitos poemas…
E a te expressar que este amor em nós ungindo
Suportará toda distância sem problemas…

Quiçá, teus lábios sentirão um beijo leve
Como uma pluma a flutuar por sobre a neve,
Como uma gota de orvalho indo ao chão.

Lembrar-te-ás toda ternura que expressamos,
Sempre que juntos, a emoção que partilhamos…
Nem a distância apaga a chama da paixão.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Coração contrito!


Coração! Oh, Coração!
Bate ininterruptamente.
Um sentimento pulsa,
A alma rebate.

Por que te amar?
Se o meu eu já te viu anacronicamente.
Refaço uma analogia ao que tu deixaste,
Apenas dor e rancor.

O coração ainda bate...
Por um amor que se tornou obsoleto.
Refaço uma regressão ao anacronismo deixado por ti,
E ao sentimento perdurado.

A emoção vem à tona.
O coração pulsa.
A razão refaz as emoções vividas,
E reestrutura todo sentimento perdido.

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Marta

Naquele instante sente seu coração pulsar mais forte. Sentada em uma cadeira, à espera de um resultado, aflita ouve os  passos do médico caminhando em sua direção.
- E ai doutor, já tem uma resposta?
Pergunta Marta ansiosa.
O médico respira fundo, manda buscar um copo com água.
Não precisou dizer mais nada, uma lagrima correu o rosto daquela mulher.
Com quarenta e quatro anos, pele clara, cabelos longos e olhos pretos como a pedra do ébano. Marta se depara com um tormento que não ainda saberia lidar, pois driblou a vida em vários instantes, logo na adolescência, aprendeu às duras a viver, sua mãe não resistiu ao parto de seu irmão mais novo e faleceu, deixando como herança a criança recém nascida e dois irmãos mais novos. Se viu obrigada a assumir junto com seu pai os comandos da casa e se dividir entre estudos e atividades domésticas.
Naquele instante um filme retrocede em sua mente, a morte da mãe, a universidade que cursara, o casamento e o nascimento das quatro filhas, momentos de felicidades e também tristezas relembrados ali. Não se sabe por que, qual razão a vida lhe sacrificaria tal sofrimento, nunca em sua vida poderia imaginar estar ali, em um hospital da Zona Sul, movida por um sentimento involuntário, desconhecido. Afinal ser forte é o que aprendera com o pai, mas isso naquele instante não parecia existir, ainda não sabia o que o destino lhe aguardava.
Mais um capitulo iniciaria, além dos problemas do cotidiano como a crise conjugal e a menopausa.
Carlos seu marido, egocêntrico como ele só, sentado próximo à janela fumava incessantemente.
Um homem de aparência mediana, obsoleto para a época que vivia, nunca aceitara que sua esposa fosse alguém com certa posição social. Para ele mulher deveria ficar em casa cuidando dos filhos, sempre pensara ter casado errado, afinal Marta era independente, professora desde nova, culta, além do trabalho que desenvolvia na escola que lecionava, ocupava seu tempo com projetos culturais em órgãos de incentivo ao desenvolvimento literário.
Todos aflitos, afinal aquela noticia mudaria de vez suas vidas.
Ana sua filha mais velha sairia de Belo Horizonte no primeiro vôo com destino ao Rio de janeiro, (Trabalhava em um curso de restauração de obras barroca), as duas mais novas (que eram gêmeas) acompanhavam o desespero dos pais no hospital.
Marta abraçou Fernanda e demonstrou seu amor incondicional, não desampararia a filha naquele momento difícil, ainda não tinham o resultado dos exames e a dor era ainda maior.
Aquela mulher que batalhou pelas armas que a vida lhe cobrou estava ali, inerte ao sofrimento da filha, o sentimento era a única coisa que sustentava.
Carlos aproxima de sua esposa e diz:
_Vamos pensar positivo, não podemos desesperar.
Marta aos prantos desabafa:
_Como não desesperar? Nossa filha acreditam estar com câncer e você me pede para não desesperar.
Dezoito anos era a idade de Fernanda, a filha do meio do casal. Há duas semanas sangrava excessivamente, apenas uma suspeita, mas acreditavam ser uma leucemia.
Estavam a três dias no hospital Copa D’or em Copacabana acompanhando o sofrimento da moça e a confirmação chegou nas mãos do médico!
A emoção toma conta do ambiente com a chegada de Ana, a família reunida em um momento difícil, mas que certamente não perderiam a fé em Deus.
Em meio ao choro e as lágrimas, Marta voluntariamente se prepara para os exames de compatibilidade, pois seria doadora da medula que salvaria sua filha. Ana não desamparou sua mãe e se prontificou a se submeter às avaliações de praxe.
Realizados os exames, Marta chorou! Deita- se ao lado da filha e adormece...