domingo, 27 de setembro de 2009

Ensaio sobre a cegueira



O filme começa num ritmo acelerado, com um homem que perde a visão de um instante para o outro enquanto dirige de casa para o trabalho e que mergulha em uma espécie de névoa leitosa assustadora. Uma a uma, cada pessoa com quem ele encontra - sua esposa, seu médico, até mesmo o aparentemente bom samaritano que lhe oferece carona para casa terá o mesmo destino. À medida que a doença se espalha, o pânico e a paranóia contagiam a cidade. As novas vítimas da "cegueira branca" são cercadas e colocadas em quarentena num hospício caindo aos pedaços, onde qualquer semelhança com a vida cotidiana começa a desaparecer.
Dentro do hospital isolado, no entanto, há uma testemunha ocular secreta: uma mulher que não foi contagiada, mas finge estar cega para ficar ao lado de seu amado marido. Armada com uma coragem cada vez maior, ela será a líder de uma improvisada família de sete pessoas que sai em uma jornada, atravessando o horror e o amor, a depravação e a incerteza, com o objetivo de fugir do hospital e seguir pela cidade devastada, onde eles buscam uma esperança.
A jornada da família lança luz tanto sobre a perigosa fragilidade da sociedade como também no exasperador espírito de humanidade.
 
Resenha:
Em uma determinada aula a professora lança o filme, a principio, fiquei surpreso pelo titulo, até mesmo pelas cenas e onde se passam. Refletindo com alguns amigos pude perceber como às vezes somos cegos em determinadas coisas, e o filme faz uma crítica aos meios de comunicação de massa. Toda nossa vida parece ser agendada como prega a "Teoria do agendamento" interferindo no nosso cotidiano, em nosso modo de agir, nossos relacionamentos e hábitos.
Nada melhor que o tempo pra nos tirar essa venda que nos cega, eu particularmente já fui cego, vivendo em momentos que só tinha olhos pra alguém, vivia cego em relação ao mundo e a todos que viviam à minha volta. Nessa época deixei de lados, minha vida, minha cultura, meus desejos e vontades, fui realizar os desejos desse alguém que pensara eu me fazer feliz.
A vida deu suas voltas. Caí, me machuquei, me levantei, "dei murros em ponta de faca", mas no final percebi que por quem eu tanto lutava, me fazia infeliz.
Depois desse "ensaio", que vida me pregou, me vejo mais forte, mais maduro, e o melhor valorizando a essência da vida!

Filme: Ilha das Flores





O filme começa no vilarejo de Belém Novo, parte do município de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul, no extremo Sul do Brasil, nas coordenadas 30°12'47.58"S 51°10'37.85"W, onde um plantador de tomates chamado Hattori Hanzo (Sonny Chiba) - um ser humano; possuidor de polegares opositores; japonês; mais especificamente um ex-samurai que, entre uma cheirada e outra de gatinhos, treinou os porcos nas artes do kung-fu samurai - luta para fazer com que o tomate, rejeitado por Dona Anete (Duas Thurman) – humana; também possuidora de polegares compositores; católica apostólica romana séx XV; dona-de-casa –, que o enviou ao lixo, chegue em segurança à Ilha das Flores, onde pode ser feliz, caso não seja comido por um porco – que não possui polegar opositor.
Após enfrentar varias dificuldades - incluindo uma prova de História feita por Ana Luiza Nunes (Chiaki Kuriyama), e a legião dos 88 Esfomeados liderados por Motherfuka Man (Samuel L. Jackson) -, Hanzo consegue fazer com que o tomate chegue em segurança à ilha, sendo, em seguida, comido por um porco, safado, treinado por Hanzo. Então a vingança, principal tema do filme, é demonstrada, com Hanzo matando o porco ao usar sua técnica secreta – o golpe do polegar compositor – que nunca tinha sido ensinado pra os porcos por que eles não possuíam polegares opositores, ou não.
A idéia do filme é mostrar o absurdo desta situação, seres humanos que, numa escala de prioridade, estão depois dos porcos. Mulheres e crianças que, num tempo determinado de cinco minutos, garantem na sobra dos porcos sua alimentação diária. (...) Ilha das Flores será um falso documentário. Documentário porque todas as informações serão reais. E falso porque vai seguir a trajetória fictícia de um tomate, plantado, colhido, vendido a um supermercado, comprado por uma dona-de-casa, rejeitado na hora de fazer o molho, jogado no lixo, levado para a Ilha das Flores, esquecido pelos porcos e finalmente encontrado por uma criança com fome.

Ilha das Flores X Comercial Yuri
Entre o filme e o comercial Yuri percebemos uma realidade social contraposta; De um lado o ser humano desvalorizado, vivendo à margem de uma burguesia podre, recebendo as deixas de um animal suino, e os restos de  conhecimento jogado no lixo por uma estudante e de outro lado, um menino já valorizado desde pequeno pela posição social que ocupa (ou parece ocupar), tendo seu espaço reservado na instituição finaceira por pertencer a um certo "status" na sociedade!

Filme: O ano que meus pais sairam de férias




ano de lançamento ( Brasil ) : 2006
direção: Cao Hamburger
atores: Michel Joelsas , Germano Haiut , Daniela Piepszyk , Caio Blat , Paulo Autran
duração: 01 hs 50 min





descrição
Os pais de um garoto inesperadamente o deixam com o avô paterno, por terem que fugir devido à repressão da ditadura militar. Com Paulo Autran, Simone Spoladore e Caio Blat.

sinopse:
1970. Mauro (Michel Joelsas) é um garoto mineiro de 12 anos, que adora futebol e jogo de botão. Um dia sua vida muda completamente, já que seus pais saem de férias de forma inesperada e sem motivo aparente para ele. Na verdade os pais de Mauro foram obrigados a fugir por serem de esquerda e serem perseguidos pela ditadura, tendo que deixá-lo com o avô paterno (Paulo Autran). Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro tenha que ficar com Shlomo (Germano Haiut), um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.



Resenha:
Um garoto deixado, às pressas, pelos pais, fugindo da ditadura militar. Eis um campo fértil para melodramas e muita pieguice. Mas não é o que acontece com o belíssimo filme, que se torna leve pela diversão e entretenimento fazendo uma apologia à ditadura militar dos anos 70, mostrando uma visão inocente e amorosa daquele momento histórico. As lágrimas que provocam, acontecimentos dramáticos e surpreendentes nos levando ao reconhecimento de uma fase tão triste de nossa história. Marcada pela perseguição e exílio daqueles que lutaram pela liberdade de expressão que temos na atualidade, tudo isso entre uma nova aderência aos costumes no qual o garoto é lançado e a esperança do reencontro com os pais no início da copa de 70.

O Carater nacional Brasileiro





4) A) Embora distintos e independentes, podem ser reunidos, o racismo e o nacionalismo. No ponto de vista que engloba toda a população, o conceito de raça é destrutivo, dadas a diferença racial existente em todo o mundo. Onde o racismo, antes de ser uma idéia que justifica a conquista de diferentes povos, foi usada para justificar diferenças entre a sociedade.




B) Embora em certos momentos possam reunir-se racismo e nacionalismo são conceitos independentes pois o primeiro apresenta – mesmo quando deformado ideologicamente – um conteúdo biológico, sendo racismo uma tendência do pensamento, ou do modo de pensar em que se dá grande importância à noção da existência de raças humanas distintas e superiores umas às outras. Onde existe a convicção de que alguns indivíduos e sua relação entre características físicas hereditárias, e determinados traços de caráter e inteligência ou manifestações culturais, são superiores a outros. O racismo não é uma teoria científica, mas um conjunto de opiniões pré concebidas onde a principal função é valorizar as diferenças biológicas entre os seres humanos, em que alguns acreditam ser superiores aos outros de acordo com sua matriz racial. A crença da existência de raças superiores e inferiores foi utilizada muitas vezes para justificar a escravidão, o domínio de determinados povos por outros, e os genocídios que ocorreram durante toda a história da humanidade, enquanto o segundo tem conteudo histórico, cultural e político, sendo o nacionalismo um sentimento de valorização marcado pela aproximação e identificação com uma nação, mais precisamente com o ponto de vista ideológico. Costuma diferenciar-se do patriotismo devido à sua definição mais estreita. O patriotismo é considerado mais uma manifestação de amor aos símbolos do Estado, como o Hino, a Bandeira, suas instituições ou representantes. Já o nacionalismo apresenta uma definição política mais abrangente Por exemplo: da defesa dos interesses da nação antes de quaisquer outros e, sobretudo da sua preservação enquanto entidade, nos campos linguístico, cultural, etc., contra processos de destruição identitária ou transformação. O nacionalismo é uma antiga ideologia moderna: surgiu numa Europa pré-moderna e pós-medieval, a partir da superação da produção e consumo feudais pelo mercado capitalista, com a submissão dos feudos aos estados modernos (ainda absolutistas ou já liberais), com as reformas religiosas protestantes e a contrarreforma católica – fatos históricos estes que permitiram, ou até mais, que produziram o surgimento de culturas diferenciadas por toda a Europa, culturas que, antes, eram conformadas, deformadas e formatadas pelo cristianismo católico, com o apoio da nobreza feudal. De um ponto de vista rigorosamente nacional, isto é, que procure englobar toda a população, o conceito de raça é destrutivo, dadas as evidentes diferenças raciais existentes em todos os países. De forma que o racismo, antes de ser uma ideologia para justificar a conquista de outros povos, foi muitas vezes uma forma de justificar diferenças entre classes sociais.

Dom Quixote



3- A) Estou aqui para demonstrar que não sou culpado pelos que penam, e da morte de Crisóstomo. Por isso peço que me atendam, pois não será necessário muito tempo, nem muita conversa para convencer os sensatos da mais pura verdade. Fez-me o céu de forma agradável, segundo vós outros encareceis; e tanto que não está em sua mão o resistirdes-me e, pelo amor que me mostrou, dizer e até supor que eu seja forçado a corresponder-vos. Com o singelo entendimento me dado por Deus, conheço que toda beleza é amável; mas não acho que seja obrigada a amar só porque é amada, podendo dar-se que seja feio o namorado da formosura. Sendo esse feio, ficaria impossível não dizer–se. “Quero-te por sua beleza, mas ainda que eu também não seja deves também me amar.” Mas, ainda presumindo que as belezas sejam em parte iguais, não significa que vão correr iguais os desejos, porque nem todas as belezas encantam; algumas alegram as vistas sem satisfazer as vontades. Se todas as belezas encantassem e satisfizessem, seria confuso, por não saberem onde iriam parar, porque sendo sem fim os belos objetos, inumeráveis seriam os desejos; e, pelo que ouço, o verdadeiro amor não se divide, e deve ser de boa vontade, não forçado. Sendo isto assim, como tenho certeza que é, porque queres que eu ame forçadamente, somente porque me queres bem? Fale-me: se, o céu não tivesse me feito bela, mas sim feia, seria justo que eu me queixasse porque não me amas? E deve ser considerado que eu não escolhi ser bela, o céu me deu gratuitamente, sem eu pedir nem escolher; assim como a víbora não tem culpa de sua peçonha, é de sua natureza, por isso eu também não mereço ser censurada por ser bela, que a beleza na mulher honesta é como fogo apartado, ou como a espada afiada, não queima e nem corta. A honra e a virtude enfeitam a alma, sem as quais o corpo não será belo ainda que o seja. Pois se são virtudes que mais enfeitam o corpo,porque perdê-las somente para corresponder à intenção de alguém que só por seu gosto, quer que as perca? Eu nasci livre, e para assim permanecer escolhi a solidão dos campos, onde minhas companheiras são as árvores desta montanha, as mais pequenas correntes de água são meu espelho, com elas comunico meus pensamentos e formosura.




B) Vim aqui defender-me e mostrar que estão doidos todos os que me culpam pelo que penam, e pela morte de Crisóstomo. Peço que me escutem pois não será necessário muito tempo nem palavras para que eu prove a verdade. O céu me fez bela, e eu não sou obrigada a corresponder seu amor. Com o entendimento me dado por Deus sei que toda beleza é amável, mas não concordo que só porque sou amada, sou também obrigada a amar. Ainda que as belezas sejam em parte iguais, os desejos não serão da mesma forma, porque nem toda beleza encanta. Sendo assim, porque exige que eu me renda ao seu amor, somente porque me queres bem? Se o céu me fizesse feia, não seria justo que eu reclamasse por não me amares. Devendo considerar que eu não escolhi a beleza que tenho, o céu a me deu gratuitamente, sem eu a pedir. Por isso eu não mereço ser repreendida somente por ser bela. Porque perder minhas virtudes comente para satisfazer a vontade de alguém que quer que eu as perca? Nasci livre, e para permanecer escolhi a companhia das árvores desta montanha e das águas claras com quem eu comunico meus pensamentos e formosura.



C) Vim defender-me e mostrar que estão doidos todos os que me culpam pela morte de Crisóstomo. Peço que me escutem pois não será necessário muito tempo nem palavras para que eu prove a verdade. O céu me fez bela, e eu não sou obrigada a corresponder seu amor. Com o entendimento me dado por Deus sei que toda beleza é amável, mas não concordo que só porque sou amada, sou também obrigada a amar. Devendo considerar que eu não escolhi a beleza que tenho, o céu a me deu gratuitamente, sem eu a pedir. Nasci livre, e para permanecer escolhi a companhia das árvores desta montanha e das águas claras com quem eu comunico meus pensamentos e formosura.

Parafrase- Memórias do cárcere



2- Levantei-me, apalpei a roupa no encosto do assento, tirei dos bolsos cigarros e fósforo, inclinei-me à janela, fumando fiquei observando o pátio sem luz. Como iria proceder? Se me dessem prazo bastante para que eu pudesse pensar, poderia planejar preponderar sentimentos, ter algum raciocínio nas atitudes e nas palavras, demonstrar ser um homem um pouco melhor. Mas diante à nova posição que me determinavam, numerosas eram as surpresas, e diante delas ia certamente perturbar-me, cometer disparates, confundir-me. Ali em baixo, a poucos metros, duas figuras, ao lado de um portão, pareciam pessoas encobertas gigantes disfarçados. Que seriam? Pilares? Deviam ser pilares. Saí, passei com cuidado, fazendo com que não ouvissem os passos, com medo de topar nas cadeiras. RAMOS, Graciliano. Memórias do cárcere. Jose Olympio, 1° vol., p.52.

Parafrase- O Teatro



1- O teatro não é somente veículo da peça, instrumento a serviço do autor e da literatura, é uma arte em função da qual é escrita a peça onde esta é material do mesmo que a incorpora como um de seus elementos. Portanto, o teatro é uma arte diferente da literatura. O texto, a peça, literatura são teatros não quando declamados, mas sim quando atuados, no momento em que viram personagens, tendo como base a transformação do ator que se transforma em personagem- fato que registra a mudança de uma arte tão somente temporal e auditiva (literatura) ao comando de uma arte espaço-temporal ou ao meso tempo auditiva e visual. Há uma grande mudança do status da palavra. Na literatura são as palavras que conduzem o mundo imaginário. Já no teatro, a condução das palavras é feita por intermédio dos personagens. Na literatura a palavra é o princípio dos personagens. No teatro o homem é a origem da palavra.


ROSENFELD, Anatol. Prismas do teatro. Ed. Perspectiva, p.22-3